sábado, 20 de outubro de 2012

Primeiros Socorros: Afogamento





Primeiros Socorros
Afogamento



Conceito:
Afogamento é definido como resultado de asfixia por imersão ou submersão em qualquer meio líquido, provocado pela entrada de água em vias aéreas, dificultando parcialmente ou por completo a ventilação ou a troca de oxigênio com o ar atmosférico. Szpilman (1994).


CAUSAS DE AFOGAMENTO

a) Afogamento primário – É o tipo mais comum, não apresentando em seu mecanismo nenhum fator desencadeante do acidente.

b) Afogamento secundário – É denominado hoje em dia como causado por patologia associada que precipita o afogamento, já que possibilita a aspiração de água pela dificuldade da vítima em manter-se na superfície da água. Ocorre em 13% dos casos de afogamento, como, por exemplo: uso de drogas (36,2%) (quase sempre por álcool), crise convulsiva (18,1%), traumas (16,3%), doenças cardiopulmonares (14,1%), mergulho livre ou autônomo (3,7%), e outros (homicídio, suicídio, lipotimias, cãimbras, hidrocussão) (11,6%). O uso do álcool é considerado como o fator mais importante na causa de afogamento secundário8. Szpilman (1994).


CLASSIFICAÇÃO

Segundo HAFEN (2002), o afogamento pode ser classificado também em:
·         Afogamento molhado: condição na qual a água penetra nos pulmões.
·         Afogamento seco: condição na qual há pouca ou nenhuma penetração de água nos pulmões.
·         Afogamento secundário: morte causada por pneumonia por aspiração, posterior à reanimação após o acidente aquático.




O QUE DEVE FAZER


Objetivo

Promover menor número de complicações provendo-se o cérebro e o coração de oxigênio até que a vítima tenha condições para fazê-lo sem ajuda externa, ou até esta ser entregue a serviço médico especializado.


O socorrista

Deve promover o resgate imediato e apropriado, nunca gerando situação em que ambos (vítima e socorrista ) possam se afogar, sabendo que a prioridade no resgate não é retirar a pessoa da água, mas fornecer-lhe um meio de apoio que poderá ser qualquer material que flutue, ou ainda, o seu transporte até um local em que esta possa ficar em pé. O socorrista deve saber reconhecer uma apnéia, uma parada cárdio-respiratória (PCR) e saber prestar reanimação cárdio-pulmonar (RCP).


O resgate

O resgate deve ser feito por fases consecutivas: Compreendendo a Fase de observação, de entrada na água, de abordagem da vítima, de reboque da vítima, e o atendimento da mesma.

Fase de observação

Implica na observação do acidente, o socorrista deve verificar a profundidade do local, o número de vítimas envolvidas, o material disponível para o resgate.

O socorrista deve tentar o socorro sem a sua entrada na água, estendendo qualquer material a sua disposição que tenha a propriedade de boiar na água, não se deve atirar nada que possa vir a ferir a vítima.

Em casos de dispor de um barco para o resgate, sendo este com estabilidade duvidosa a vítima não deve ser colocada dentro do mesmo, pois estará muito agitada.

Fase de entrada na água

O socorrista deve certificar-se que a vítima está visualizando-o. Ao ocorrer em uma piscina a entrada deve ser diagonal à vítima e deve ser feita da parte rasa para a parte funda. Sendo no mar ou rio a entrada deve ser diagonal à vítima e também diagonal à corrente ou à correnteza respectivamente.





Fase de Abordagem

Esta fase ocorre em duas etapas distintas:

Abordagem verbal; Ocorre a uma distância média de 03 metros da vítima. O socorrista vai identificar-se e tentar acalmar a vítima. Caso consiga, dar-lhe-á instruções para que se posicione de costas habilitando uma aproximação sem riscos.

Abordagem física; O socorrista deve fornecer algo em que a vítima possa se apoiar, só então o socorrista se aproximará fisicamente e segurará a vítima fazendo do seguinte modo: O braço de dominância do socorrista deve ficar livre para ajudar no nado , já o outro braço será utilizado para segurar a vítima , sendo passado abaixo da axila da vítima e apoiando o peito da mesma, essa mão será usada para segurar o queixo do afogado de forma que este fique fora da água.




Em crianças:

Convém lembrar que uma criança pequena se pode afogar em poucos centímetros de água, num tanque, balde ou alguidar quase vazio, ou até mesmo na banheira, durante o banho.
O QUE DEVE FAZER
Retirar imediatamente a vítima de dentro de água.

Verificar se está consciente, se respira e se o coração bate.

Colocar a vítima de barriga para baixo e com a cabeça virada
para um dos lados.



 


Comprimir a caixa torácica 3 a 4 vezes,
para fazer sair a água.




Se a vítima não respira, deitá-la de costas e iniciar de imediato os procedimentos do algoritmo
do Suporte Básico de Vida.

O SBV consiste num conjunto de procedimentos realizados sem recurso a equipamento específico, e que tem como objectivo a manutenção da vida e o ganho de tempo, até à chegada de ajuda especializada.

O SBV inclui:
• Avaliação inicial (verificar condições de segurança e se a vítima responde).
• Permeabilização das vias respiratórias.
• Ventilação com ar expirado (respiração boca a boca).
• Compressão do tórax (compressão cardíaca externa).


O que deve fazer





Perante uma vítima inerte, aparentemente inconsciente, deve verificar:

• Se está inconsciente (verificar se responde).

• Se respira (ver os movimentos respiratórios, ouvir os sons respiratórios junto à boca da vítima e sentir o ar na face, durante dez segundos).

• Se tem sinais de circulação (verificar se existe movimento e verificar o pulso na artéria carótida, localizada no pescoço).

Estes procedimentos podem salvar a vida, sobretudo quando a causa de paragem cardiorrespiratória está essencialmente relacionada com a obstrução da via respiratória.
Logo que a vítima respire normalmente, colocá-la em Posição Lateral de Segurança e mantê-la confortavelmente aquecida. Em qualquer situação, transportar a vítima ao Hospital, ativando o Serviço de Emergência Médica.

A decisão de iniciar o Suporte Básico de Vida (SBV) é tomada quando a vítima não responde e não respira normalmente.

• Os reanimadores devem colocar a mão no centro do tórax.
• A relação compressões-ventilações no jovem/adulto é de trinta compressões para duas         insuflações (30:2).
• A reanimação começa por 30 compressões torácicas, a iniciar imediatamente a seguir à confirmação de paragem cardiorrespiratória, e não pelas cinco ventilações iniciais.

Fonte: Reis (1999)





Atenção:
Em qualquer situação, mesmo de aparente recuperação total, a vítima deve ser enviada ao Hospital.














Referencias:




BRASIL, Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. FIOCRUZ. Manual de Primeiros Socorros. Rio de Janeiro. Fundação Oswaldo Cruz, 2003.

HAFEN, Q.B.; Karen, K.J.; Frandsen, K.J. Guia de Primeiros Socorros para Estudante. [Controle de qualidade da tradução eletrônica pela Editora Manole: Dr. Marcos Ikeda; Revisão da última prova: Equipe editorial – Editora Manole]. Barureri – São Paulo: Editora  Manole, 2002.

REIS, Isabel. Manual de primeiros socorros: situações de urgência nas escolas, jardins de infância e campos de férias.  Lisboa: Programa de Promoção e Educação para a Saúde/M.E., 1999.   ISBN 972-8367-08-2.

SZPILMAN D, Amoedo AR. Atualização da classificação de afogamento: avaliação de 2.304 casos em 20 anos. JBM 1994; 66:21-37.

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